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- Berrografias – Manuela -

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Conheça a história de Manuela Francisca, cozinheira da melhor feijoada do mundo!

Manuela Francisca Ribeiro é uma das funcionárias com mais tempo de Berro. Com 38 anos de casa, ela conta como foi sua vida antes e depois do restaurante, suas dificuldades, alegrias e momentos especiais.

Manu nasceu em uma pequena cidade de Minas Gerais, Delfim Moreira, uma cidadezinha do distrito de Itajubá. Lá, cresceu com seus pais e seus sete irmãos, trabalhava na roça plantando e vendendo marmelos. Sobre sua infância, ela afirma: “A vida de Minas era muito difícil. Lá nós fomos criados na roça, no cabo da enxada, plantando marmelo. A gente plantava, depois tinha que colher esses marmelos e vender pra sobreviver. Era uma vida muito sacrificada, nós éramos uma família bem grande e foi assim, foi uma infância sofrida. Na época não tinha estrutura nem pra gente estudar, portanto eu não estudei. Meu pai nos criou com muita dificuldade. Quando a gente chegou de Minas pra cá, com meu pai e minha mãe, a gente não tinha nada.”

Não foi uma vida nada fácil. O trabalho na roça exigia muito de Manu, seus irmãos e pais, que cansaram dessa vida e mudaram-se para o estado de São Paulo, em busca de melhores condições. Aos 12 anos, Manuela e sua família mudaram-se para Biritiba Mirim, uma pequena cidade próxima a Mogi das Cruzes (na época um distrito), e conseguiram trabalho em uma fazenda. A realidade não foi muito diferente da de Delfim Moreira, pois a família continuou trabalhando na roça, plantando agora feijão. Manuela e seus irmãos continuaram com o trabalho árduo, sem muita estrutura e o estudo tão desejado.

E assim Manu cresceu, até conseguir juntar um pouco de dinheiro e sair de casa. Aos 17 anos, conseguiu seu primeiro emprego formal em uma pizzaria e, aos 19, iniciou sua carreira no Berro como garçonete. Conseguiu o emprego no restaurante através de um amigo: “Eu tinha um amigo que trabalhava ali perto do amarelinho, chamava Cláudio esse rapaz. Ele era amigo do Seu Zé. Aí um dia eu conversando com ele falei que precisava trabalhar e ele me trouxe pra falar com a Dona Lourdes. Eu conversei com eles  e me disseram pra eu começar a trabalhar no dia seguinte, e foi assim que eu comecei a trabalhar com eles”.

Começou trabalhando no Berro como garçonete, mas sempre teve interesse especial pela cozinha. Pela manhã ajudava na cozinha e às onze horas ia para o salão servir os clientes. Após um tempo observando e aprendendo com Dona Lourdes, passou a trabalhar como cozinheira de tempo integral. Manuela afirma ter aprendido tudo o que sabe sobre cozinha no Berro: “Aprendi tudo no Berro. O que eu tenho de cozinha hoje, tudo o que eu faço, feijoada, rabada, todas essas coisas vieram da sua avó. Sempre gostei de cozinhar mas quando eu entrei aqui eu não sabia nada”.

Ao ser perguntada sobre sua vida fora do trabalho, Manuela não a diferencia tanto assim: “Eu vivi aqui, eu cresci aqui. Meus filhos cresceram aqui dentro.”, afirma.

Quando entrou no Berro, Manuela tinha um filho pequeno, Israel. Nos anos seguintes, casou-se e teve mais dois filhos, Rogério e Maria Inês. Hoje, todos eles têm uma vida que ela considera muito bem estruturada, com carreiras promissoras. Além disso, ela também tem 4 netos, os quais considera um presente de Deus.

Manu recorda também de um dos momentos mais emocionantes da sua vida, que mistura tanto sua vida pessoal como a do trabalho. Ela conta, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, da vez em que seu filho estava doente e corria sério risco de morte: “Foi uma vez que meu filho era pequeno e eu não tinha dinheiro pra levar ele no médico. Não tinha dinheiro, não tinha nada. Aí a dona Lourdes disse pra mim “Não Manu, ele não tá morrendo, a gente vai cuidar dele.” Ele era muito pequenininho e estava muito doente. Aí a dona Lourdes falou pra gente marcar uma consulta mas eu não tinha dinheiro, não tinha da onde tirar. Então ela falou “Não. Nós vamos pagar a consulta pra ele.” Eu lembro até o nome do médico, doutor Paulo. Ela marcou, foi comigo no médico levar ele e no fim ficou tudo bem. Foi o momento que mais marcou minha vida porque ela foi uma pessoa digna de me ajudar a salvar meu filho. Isso eu nunca vou esquecer.”

Com relação aos desafios do trabalho, Manuela afirma que o maior desafio que já passou foi recente, na mudança do Berro antigo para o restaurante novo: “Eu achava que não ia me adaptar aqui. Na nossa mudança pra cá eu tive muito medo. Quando foi pra gente mudar pra cá, com essa tecnologia, essas coisas novas, eu pensei “Agora o Zé Carlos e o Felipe vão me dispensar, porque o que que eu vou fazer nesse lugar tão chique?” Mas no final deu tudo certo!”. Ela diz também que conseguiu superar esse desafio graças às amizades que fez no restaurante, tanto com outras funcionárias como com os proprietários, que sempre a tranquilizaram e a deixaram a vontade. Após um ano no restaurante novo, Manu se sente novamente confiante em sua cozinha.

Outro aspecto importante do trabalho é sem dúvida o carinho dos seus colegas. Manu lembra de um aniversário em que estava doente e não queria fazer festa de aniversário, pois estava desanimada. Sabendo disso, seus colegas a surpreenderam para que a data não passasse despercebida. Ela comenta: “Eles fizeram um carro de mensagem pra mim! E foi uma das ocasiões mais felizes da minha vida! Mais um dos momentos muito marcantes que eu vivi junto com vocês. O que me fez ficar aqui muitos anos é o carinho que vocês têm por mim e eu tenho por vocês.”

Para ela, o Berro foi com certeza o fator que fez sua vida mudar. No início, entrou apenas para arranjar um emprego melhor do que trabalhar na roça. Hoje, a alguns anos de se aposentar, Manu considera o restaurante o responsável pela felicidade de sua vida. “Hoje graças a Deus eu vejo meu filhos criados e minha vida estruturada através do Berro. Isso é um privilégio na vida da gente, né? Eu agradeço a Deus e aos meus patrões, porque tudo o que eu tenho, eu tenho graças ao restaurante, tudo o que eu aprendi foi com a dona Lourdes e seu Zé. É muito bonito trabalhar com pessoas que trabalham direitinho, que são pessoas maravilhosas, que nem o Felipe e José Carlos.”.

Sobre o futuro, a única coisa que Manuela espera é não parar de trabalhar tão cedo. Com seus filhos fora de casa, ela mora sozinha. Sua casa tornou-se o Berro, uma segunda família que ela deseja manter para sempre. Ela ainda diz: “Gosto da cozinha, das minhas amigas, de estar junto de vocês. Então como eu tenho essa vida toda aqui dentro, o dia que eu sair, que aposentar, não sei como eu vou ficar lá fora sem vocês. O trabalho virou minha vida e o Berro foi um projeto de vida maravilhoso. O seu Zé se foi, mas a dona Lourdes, o Zé Carlos e Felipe tão aqui com a gente. E lá aonde ele está acho que olha aqui por nós.”

 

Comentários

4 comentários

  • 14 de April de 2016

    Manu querida, que linda história de superação. Você é uma guerreira que serve de exemplo a todos nós! Sua feijoada, sua comida em geral, é mesmo maravilhosa, porém, delícia mesmo foi conhecer um pouco mais da sua trajetória de vida!

  • 14 de April de 2016

    Minha linda e querida amiga manu, mulher batalhadora e integra, fico muito feliz o reconhecimento de seu trabalho parabens beijo

  • 14 de April de 2016

    A anos sou amiga de Manuela, mulher guerreira, linda por dentro e por fora ,com sua simplicidade conquista a todos.Que merece toda felicidade do mundo. Deus te abençoe e ilumine sempre bjsss

  • 14 de April de 2016

    Admiro muito agarra da Manuela ela nunca desistiu dos seus sonhos que o senhor continue abençoando os seus sonhos dando saúde e perseverança amamos muito você

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